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naluzdalua


Quinta-feira, 27.08.15

"A first quarter moon to slow down and pay attention", escreveu o Henry Seltzer

ou as restrições de Saturno, digo eu. São tantas e tão evidentes, que mais parece um quarto minguante.

Este quarto crescente ocorreu na passada 6ª feira, dia 21, no último grau de Escorpião, precisamente em conjunção com Saturno e com o Sol ainda em Leão, mas quase a entrar em Virgem.

Estou curiosa para ver o que trará a lua cheia em Peixes do próximo sábado, dia 29, depois deste quarto crescente de síntese(s): no exato dia em que ele ocorreu fiz, na praia, deitada ao sol de olhos fechados, a meditação do Sol de lua nova em Leão do mooncircles (mooncircles.com/leo-new-moon-sun-meditation-2/) e foi supremo!, foi ir do sol exterior ao sol interno do corpo e do coração (o prórpio âmago de Leão), a luz interna e eterna dos místicos sufis.

A este caráter sintético do quarto crescente pós-lua nova em Leão, acresce Vénus retrógrada também em Leão, até 6 de Setembro. É tempo agora para pensarmos e repensarmos sobre as questões de Vénus, sobretudo as nossas parcerias e relacionaemntos amorosos, afetivos e até profissionais, para descermos fundo dentro de nós e avaliarmos o que lá se encontra e de que maneira se articula com a realidade mundana do dia-a-dia, também nos outros temas de Vénus, como as questões estéticas e financeiras.

E é melhor que o façamos, já que é simultaneamente um tempo difícl para concretizar seja o que for. As concretizações far-se-ão, mas de forma lenta e algo penosa, à boa maneira de Saturno - e deixando também licões valiosas e duradouras.

A boa notícia é que, desde 21/22 de Agosto, Vénus iniciou um novo ciclo como Estrela da Manhã, que será marcado pelas cartaterísticas de Leão, onde teve início. Nos próximos 584 dias podemos contar com o seu apoio - ela também é o planeta da "sorte" - para a nossa vida afetiva, para os lugares onde encontramos o amor e a beleza.

Mas o melhor é deixar aqui as palavras da Dana  Gerhardt, do seu "Venus Unleashed Report" (www.mooncircles.com):

Ancient priests would sit in towers and watch the horizon, waiting for the moment when Venus emerged as the Morning Star. Her appearance was met with great celebration. As the Morning Star, Venus is audacious, impetuous, and fearless. I hope you're lucky enough to witness at least one of her predawn conjunctions to the Moon - well it's either luck or planning. Note Venus' sign (available on this website); then watch for the days each month when the Moon is in the same sign (also avalable daily on this website). Unless the Moon is dark, you'll be able to see and commune with this high holy darshan of the divine feminine. Bring your reverence and your current mysteries. Bathe in the blessings. Ask for guidance.

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por naluzdalua às 08:24

Domingo, 09.08.15

"Um quarto minguante de compromisso e reavaliação" - Henry Seltzer, outra vez

Aproveito a "onda" desta fase lunar para fazer a revisão e balanço deste ciclo que, recordo, começou com a lua nova em Caranguejo.

Seguiu-se-lhe o "desafiador" quarto crescente em Escorpião - e como o meu o foi!

Três dias depois da publicação do post sobre o quarto crescente, foi-me diagnosticada uma infeção pulmonar, o que veio a traduzir-se numa semana de antibiótico, 2 ou 3 dias de cama e mais um par deles para voltar a uma normalidade mais ou menos normal.

Na altura em que escrevo este texto, duas semanas depois, re-conheço que o mais importante não é despachar uma lista de intenções ou de coisas-a-fazer mais ou menos obsessiva: o mais importante é, como sempre ou quase, interior. Com que força enfrentamos os desafios e em que estado ficamos, nós e as nossas intenções e propósitos, depois deles? Por mim não me posso queixar. Sim, resolvi as questões práticas mais prementes e as que não resolvi estão bem encaminhadas.

Mas, mais importante do que isso, foram as respostas que dei às questões de lua cheia, uma semana depois, da April Elliott Kent (BigSkyAstrology.com):

- So, review your plans - but more importantly, review the state of your heart

e

- The Full Moon in Aquarius looks at your New Moon plans and asks "What will it mean twenty years from now?"

- a esta última questão surpreendi-me a responder, com óbvio prazer, "a lot".

As duas questões estão intimamente ligadas. Os meus objetivos de lua nova foram: "deitar fora o lixo psíquico do passado" (limpar a minha 12ª casa, a minha casa de dentro, onde ocorreu a lua nova) e "restaurar a ligação com a psique, sobretudo a nível inconsciente". Isso não só foi muito bom para o meu "coração", como, sim, acredito que ainda será muito  importante nos anos que virão (que não sei se chegarão a vinte!).

E para isto se calhar contribuiu e foi importante o facto de ter ficado doente e ser sido forçada a parar, render-me, baixar os braços.

Depois, ainda por cima, tive o prémio da lua cheia:

Espero que saibam, se ainda não souberem ficam a saber, que a lua cheia é a fase em que a Lua se esncontra em oposição, logo a 180º de distância do Sol. Assim, é a fase especular, em que Sol e Lua se defrontam e confrontam a partir de signos opostos. Nesta lua cheia, isso ocorreu com o Sol em Leão, a que poderei chamar o signo da "Auto-Expressão do Eu Pessoal Identitário" e a Lua no signo de Aquário, o do "Nós = Eu + Vocês/O(s) Grupo(s)". No meu caso pessoal esta ocorrência foi oparticularmente dramática porque em Leão tenho o ascendente e a minha 1ª casa, a da Personalidade (a maneira como vejo o mundo e como lhe apareço) e em Aquário a 7ª, a casa do(s) outro(s)  - o(s) outro(s): os reflexos deles em mim e o(s)- outro(s)-reflexos-de-mim, e as minha relações ou recusa de relação com eles.

Não quero entrar em grandes detalhes, que seriam uma adicional grande maçada, mas a verdade é que entrei em confrontos sérios nesta área, com outra pessoa, confrontos esses que, se não resolvi a meu contento (não "ganhei" o braço de ferro), serviram para refletir uma imagem de mim própria que não me envergonha e se ajusta aos meus próprios contornos e para ficar ligada de forma mais autêntica e profunda a um grupo de "outros" que significa muito para mim.

Portanto, feitas as contas, acho que correu tudo bastante bem e que a vida não acontece por acaso nem de qualquer maneira, antes é um brilhante e excitante jogo cujas regras se vão conhecendo sobretudo pela  intuição que vamos tendo delas e pelos riscos que corremos. É um negócio arriscado e cheio de subtilezas, rigoroso à sua maneira, que se joga com o coração. E com o humor.

Desculpem se me estou a gabar - defeito típico dum Ascendente Leão - mas esta situação acabou por me encher de alegria, porque o que havia a fazer, e que  fiz, era sobrepor os valores de Aquário - o interesse do grupo - aos valores de Leão que me são por demais familiares - o meu ego, a minha vontade, a minha "razão", aquilo que eu acho que quero. Sem comprometer a minha liberdade nem a minha integridade, arriscquei alguns  passos  mais da laboriosa e sofisticada dança dos opostos.

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por naluzdalua às 12:37

Sábado, 08.08.15

Por altura do quarto minguante em Touro (ontem, 3 da madrugada): celebração que podia ser uma redação da 4ª classe sobre o meu primeiro dia de praia do verão de 2015

Os quartos minguantes são caraterísticamente alturas de crise interior, alguma tristeza, "blues", depressão de circunstância - e este tem Saturno a ajudar. Tenciono falar da ajuda de Saturno e doutras coisas no próximo post, até era para falar neste, mas não quis deixar de o dedicar ao pequeno texto espontâneo que escrevi ontem ao final da tarde na esplanada do café da praia, porque sempre encontro mais beleza na prática do que na teoria.

"Fartei-me de chorar na praia. O Sol tinha-se escondido atrás de nuvens cinzentas, ou melhor, o céu ficou todo cinzento mas estranhamente não fechado nem opressivo, antes aberto à luz branca do sol que vinha detrás, era um amplo espaço aberto sem fim - nem princípio - , aberto à luz, onde podia muito bem estar deus e eu perguntei-lhe dentro do meu peito porquê eu porquê tanta dor tanta solidão desde sempre desde sempre desde que me lembro porquê

e tive a impressão de que deus me ouviu por isso me permiti chorar, como uma criança solta as lágrimas todas no colo da mãe porque (já) se sente segura para chorar à vontade

e o mar o imenso mar cinzento igual ao céu imenso

igual ao céu,

e o peito a rasgar-se de saudades do amor.

nada a fazer, nada a dizer - é quando se chora sem gestos, sem palavras, a enorme-mágoa-imensa de se ter nascido só sobre a Terra."

 

 

 

 

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por naluzdalua às 15:59

Quarta-feira, 29.07.15

"Um quarto crescente desafiador", Henry Seltzer in www.astrograph.com

Não é que não o sejam todos. São-no. Mas este é-o em particular, com a Lua no 1º grau de Escorpião e Plutão, o regente de Escorpião, em destaque desde a lua nova - altura em que "este arquétipo astrológico dos temas ocultos e subterrâneos, da morte e da regeneração" se opôs, em Capricórnio, à conjunção Mercúrio (mente)-Marte (ação) em Caranguejo.

Também em destaque está Vénus e também desde a lua nova, quando, nos derradeiros graus de Leão, fazia uma quadratura quase exata a um Saturno estacionário.

Vénus estaciona agora no 1º grau de Virgem, preparando-se para entrar em movimento retrógrado até aos 14º de Leão, onde voltará a entrar em movimento direto em 6 de Setembro (também o Sol está n o 1º grau, de Leão,  e a Lua no 1º grau de Escorpião).

Com a ênfase em Plutão e Vénus, estamos perante uma tremenda concentração de foco nas relações mais importantes das nossas vidas, bem como nas outras áreas simbolizadas por Vénus: preocupações estéticas e financeiras, os nossos valores fundamentais e a nossa sensação de bem-estar relacionada com a apreciação da beleza, em nós próprios e nos outros.

Seremos convidados pelas circunstâncias a demorar o nosso olhar por estas áreas e a interrogar-nos sobre onde e quando apreciamos a beleza, sobre a dinâmica dos nossos relacionamentos e sobre os obstáculos que nos afastam da plenitude do amor nas nossas vidas.

Este quarto crescente é, como sempre, um tempo de ação e de crise(s). É a semana do ciclo lunar em que as nossas intenções-de-lua-nova sofrem o ataque da realidade - será que vamos conseguir por em andamento os objetivos que definimos? Será que os adversários e os testes que tipicamente surgem nesta fase o vão permitir? Ou seremos por eles distraídos e forçados a adiar a ação ou ações que se impõem, caindo numa relativa apatia ou inércia?

A vida é feita de ciclos. A Lua e o ciclo lunar são talvez o melhor exemplo, se não o emblema disso mesmo. Seja como for, não é dramático: tudo acaba e tudo recomeça de forma potencialmente infinita e eu acredito que a nossa capacidade de fazer frente àqueles "adversários e testes" depende sobretudo da nossa consciência daquilo que está em jogo - e do próprio jogo. Para os hindus, aquilo a que chamamos "vida", ou seja, tudo o que acontece numa realidade material sobre o  planeta Terra, é um jogo, é Lila, ou Leela. Pode ser jogado em diferentes níveis e com diferentes cenários, mas é um jogo, que jogamos pelo tremendo prazer de jogar e para ensinarmos os outros a jogarem também.

Parece-me interessante aludir ainda aos símbolos sabeus apresentados por Seltzer para este quarto crescente. Para a Lua, no 1º grau de Escorpião, o símbolo é "uma visita guiada de autocarro" que "nos lembra de nos mantermos alerta a todas as nossas possibilidades,  para não deixarmos nada de fora na busca da verdade da nossa situação". Segund Marc-Edmund Jones, representa "o interesse na vida como um todo" e "a rentabilização da oportunidade do momento".

Para o 1º grau de Virgem, onde Vénus se encontra estacionária por estes dias, o símbolo é "uma cabeça de homem". Jones identifica este símbolo com "a plena maturidade da figura humana com uma ênfase na integridade pessoal" em que "os ideais duma vida interior encontram a sua manifestação externa através de alguma forma de responsabilidade assumida pelo indivíduo, com a qual os outros podem contar".

Para concluir, devo salientar que, em relação às "questões de Vénus" atrás referidas, o papel de Escorpião neste quarto crescente consiste sobretudo em enfatizar a nossa autenticidade emocional, neutralizando, ou tentando neutralizar os aspetos-sombra da lua nova em Caranguejo, a saber o sentimentalismo piegas, a agressividade passiva ( ou a passividade agressiva) e a sobre-proteção, focando-nos nos seus aspetos mais positivos, inclusivos e amorosos - e mais substancialmente "alimentadores".

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por naluzdalua às 20:45

Terça-feira, 21.07.15

Sobre a recente lua nova de 16 de Julho em Caranguejo

"Curo-me e crio nova vida entre a casa e o dia-a-dia, onde me vou soltando do passado, e o oceano da praia e da psique onde invento o futuro"

 

Foi esta a mensagem da lua nova em Caranguejo que escrevi depois da meditação respetiva numa folhinha do meu bloco (é um bloco pequenino) que a seguir coloquei no meu "altar" - que não será místico por aí além, mas está cheio de significados.

É sobre a parte de cima duma cómoda grande e antiga, e castanha muito escura. Tem uma estatueta dum buda, porventura bastante atípico, de pé, cinzento, esguio. Gostei muito dela porque a achei parecida com algumas estátuas de Lisboa e me faz lembrar o contraste entre o cinzento da pedra e o verde das folhas das árvores, sobretudo em certos dias amenos do fim do outono e do  princípio do inverno sem sol - e também por isso tenho uma jarra de vidro, em forma de taça estreita e alta, com um bambu que tem vindo a crescer ao longo dos meses e exibe uma folhagem muito verde e brilhante no topo. E também por isso tenho um vaso com uma planta verde escura viçosa e cheia de folhas, a que tenho de cortar algumas de tempos a tempos para que ela não asfixie dentro do vaso, que não é muito grande. Ao lado da jarra, uma esfera de quartzo rosa. Ambas têm por baixo um naperon branco bordado por mim a ponto de cruz: flores em tons muito suaves de azul, com folhas em suaves tons de verde. Bordei-o há uns dez anos, numa altura em que não conseguia dormir e resolvi aprender ponto de cruz para me entreter durante as noites. Sobre o tampo da cómoda, mas fora do naperon, um calhau rolado que trouxe há muitos anos duma praia, cinzento e muito liso, apesar de áspero: porque me lembrei e para me lembrar de Jung, que dizia coleccionar pedras e calhaus e deixá-los bem visíveis para se lembrar do céu. E depois tenho ainda um montículo de folhas pequenas de bloco escritas com as mensagens de lua nova, desde a de Janeiro de 2014, que foi em Aquário.

E toda esta tergiversação porque Caranguejo é o signo da casa, como também o é do templo e do santuário - porque é o signo dos objetos continentes, da contenção e da interioridade, por analogia com o ventre da Mãe arquetípica regente deste signo, ou seja, a Lua.

Este mês, além de ler os artigos que são publicados regularmente no mooncircles por altura da  lua nova e da lua cheia, li ainda três artigos de April Elliott Kent que me "encheram as medidas".

Tudo isto porque tenho a minha 12ª casa, com Urano e nódulo lunar sul (o meu karma, ou o sítio de onde venho) no signo de Caranguejo. No primeiro artigo, "Tidying up", ela refere o facto de, nesta lua nova, o Sol e a Lua estarem ambos em aspeto com Urano e Plutão, a que ela chamou "os épicos deuses da mudança", a propósito de esta ser uma lunação propícia a limpar a casa, no sentido de a despojar de tudo aquilo que está a mais, que não faz falta, que deve ir para o lixo.

Já que - puxando a brasa à minha sardinha, porque afinal tudo isto é sobre a Lua, ou seja, sobre a alma, ou seja, sobre o que sinto - a 12ª casa é o setor equivalente ao signo de Peixes, regido por Neptuno, e diz respeito, entre outras coisas, às camadas mais profundas da psique e ao sentido de união com a totalidade da vida e do universo, é esta a "casa" que me cumpre limpar e arrumar até à próxima lua nova de Leão. Duas tarefas fundamentais:

Deitar fora o lixo psíquico do passado

Restaurar a ligação com a psique, ou alma, sobretudo nos níveis  mais profundos e  inconscientes ( - e se calhar também nos mais subtis e  etéreos: li algures que era uma boa altura para me dedicar à telepatia e à mediunidade!)

Parece que adivinhei, quando tinha 17 anos e escrevi um poema na parede do meu quarto que começava - O mundo é a minha casa,

porque o mundo carregamo-lo dentro de nós, da nossa "cabeça", o mundo de que temos consciência e o outro, muito mais vasto, que não.

Num outro artigo sobre a lua nova em Caranguejo, "Vacation", ela fala da época de férias que muitas vezes coincide com este mês, em que saímos de casa e vamos para sítios fora do costume fazer coisas fora do costume, que muitas vezes  consistem sobretudo em não fazer coisa nenhuma. De como isso é libertador e de como é bom voltar depois para casa. E reparo, talvez por causa do meu caso pessoal, como esta "casa" pode ser metafórica , como podemos sair dela, ir para outros lugares e voltar sem nunca termos saído fisicamente do mesmo sítio.

Como no excerto de Four Quartets de T.S. Eliot (1943) que ela cita no mesmo artigo:

We shall not cease from exploration

And the end of all our exploring

Will be to arrive where we started

And know the place for the first time.

Through the unknown, unremembered gate

When the last of earth left to discover

Is that which was the beginning;

At the source of the longest river

The voice of the hidden waterfall

And the children in the apple-tree

Not known, because not looked for

But heard, half-heard, in the stillness

Between two waves of the sea.

 

O não-lembrado, o não-conhecido, o oculto, entre-ouvido nas águas do inconsciente de Peixes e da memória de Caranguejo: aquilo que não se sabe e por que vale a pena viver.

(uma das intenções que formulei para esta lua nova em Caranguejo foi dedicar pelo menos uma hora por dia à escrita. Espero conseguir cumpri-la)

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por naluzdalua às 16:10

Quarta-feira, 15.07.15

e pronto: eis-nos na lua balsâmica, a última fase do ciclo,

a fase da lua vazia ou negra que referi no último post.

Por estes dias, até à lua nova, podemos ver a sua réstea cada vez mais delgada entre as três da manhã e o meio-dia.

Escreveu a minha querida amiga Dana Gehrardt que, se quisermos honrar apenas uma fase da Lua, que seja esta.

Porque a Lua é, por natureza, como que um emblema da própria recetividade - ela reflete o que recebe, ou seja, a luz do Sol. Que brilha, transformada em luar, durante a noite, quando a luz do sol não nos chega; e porque esta é a mais misteriosa e recetiva de todas as fases, que ocorre nos três dias e meio antes de o Sol e a Lua voltarem a celebrar as suas núpcias, no mesmo grau de um novo signo do zodíaco.

É um tempo propício a deitar fora o lixo e a fazer limpezas, tanto no espaço exterior da nossa casa, local de trabalho e do nosso próprio corpo, como no nosso espaço mental e emocional. E depois descansar.

Largar o que já não interessa, os despojos do ciclo. Habitar o espaço vazio e receber a energia do que está por-vir, como um bálsamo. Antes de começar outra vez, de maneira diferente.

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por naluzdalua às 13:28

Segunda-feira, 13.07.15

Da meia-noite ao meio-dia podemos encontrar o quarto minguante...

... que irá minguar cada vez mais, até ficar no céu apenas a lua negra, o vazio da lua antes da lua nova seguinte.

Em todos os sentidos, é um tempo de menos. Menos vida exterior, menos ação, menos novidades. O mais importante nesta fase é, na medida do possível, abstermo-nos de agir.  E ter calma - porque poderá ser necessário algum esforço de reorientação e porque as frustrações vêm mais das nossa próprias condições internas do que dos outros ou das circunstâncias. É a crise de consciência de que falou Rudhyar.

É um tempo de pausa. É bom ideia aproveitá-lo para deixar ir algum apego que não é bom para nós, alguma expectativa desproporcionada, alguma ilusão.

Depois disso ficamos mais fortes e mais capazes de reafirmar aquilo que é verdadeiro e realmente importante para nós.

Faltam poucos dias para a lua nova e para um novo ciclo de ação. Até lá, o tempo é bom para nos fortalecermos, a nós e à nossa vontade, para fazermos um balanço do ciclo que está prestes a findar - o que resultou e o que não resultou e porquê - e para aguçarmos as nossas intenções para o ciclo que se aproxima.

Sem deixarmos de admirar a beleza deste tempo interno e externo de despojamento.

 

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por naluzdalua às 14:06

Terça-feira, 07.07.15

Lua disseminadora

É visível entre o meio da noite, quando nasce, e o meio da manhã, quando se põe.

Podemos vê-la no céu quando acordamos, ainda pouco menos que cheia, a caminho do horizonte ocidental.

Depois do apogeu da lua cheia, assinala um tempo de celebração - se a nossa "colheita" tiver sido boa - ou de reflexão. Se os frutos não tiverem sido tão fantásticos assim, será bom indagar porquê.

Mas, como o nome indica, deve ser sempre um tempo de partilha. Contemos aos outros aquilo que ganhámos desde a última lua nova. E perguntemo-nos também o que ainda nos falta, porque os ciclos que virão podem ser utilizados para tentar preencher esses vazios.

Perguntemos a alguém nascido durante a lua disseminadora como se faz: eles dominam na perfeição a arte de não deixar nada por dizer. Hoje acabei de ler o romance escrito por um amigo "disseminador" e o fim não podia ser mais eloquente nem arrebatador. Não tive palavras, mas um grande calor no coração e os olhos inundados de lágrimas.

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por naluzdalua às 20:50

Sábado, 04.07.15

Na lua cheia, o Sol e a Lua estão frente a frente: é a oposição

Para ver a lua cheia por estas noites, basta olhar para a zona mais oriental do céu ao por do sol, quando ela nasce,  e ir acompanhando o percurso da Lua até à zona mais ocidental do céu quando ela se põe, de madrugada, ou seja, sempre o ponto no firmamento que se opõe ao ocupado pelo Sol.

É a oposição, aspeto configurado por dois planetas que se opõem num eixo de 180º.

A lua cheia faz-me sempre pensar no budismo e em alguns conceitos budistas: a iluminação, a totalidade - comunhão dos princípios feminino (Lua)  e masculino (Sol) -, a contemplação a que nos convida este culminar de um ciclo. Por estes dias, o tempo não é tanto de agir nem de não-agir, mas de ser, e de sermos recetivos a esta totalidade e culminação, que muitas vezes nos brindam com inesperados insights e revelações.

Já que falei no budismo e na Lua, aproveito para dizer que o mês de Maio é  muito importante para o budismo. Segundo a tradição, ele contém duas datas decisivas, a do nascimento e a da iluminação de Buda. Para a astrologia, corresponde ao ciclo lunar que se inicia com a lua nova no signo de Touro, onde ela encontra a sua exaltação.

Para mim e para outros, a exaltação da Lua é o próprio emblema da impermanência, da regularidade e estabilidade possíveis e da alegria do retorno da vida sobre a Terra.

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por naluzdalua às 21:24

Quarta-feira, 01.07.15

Lua gibosa, o último aspeto antes da lua cheia

"Giboso" é um termo astronómico que designa um corpo planetário que está quase completamente iluminado. E de facto, se olharmos esta noite para a Lua - de há 3 noites a esta parte, mas sobretudo hoje, já que a lua cheia será às 3 e pouco da próxima madrugada - vê-la-emos brilhar numa forma redonda quase quase perfeita (é esse o problema com a lua gibosa: quase perfeita, mas ainda não).

A lua gibosa levanta-se a leste do meio para o fim da tarde, pelo que é vista claramente mesmo antes do por do sol, e põe-se por volta das 3 da manhã.

Assinala um tempo de transição - do conflito do quarto crescente para a plenitude da lua cheia. Podemos estar exaustos e à beira duma crise de nervos, mas não é caso para perder a paciência - enfim, não totalmente! - nem a esperança, porque o pior já passou e o melhor está mesmo a chegar, quando a Lua ficar completamente iluminada, o que será, esta noite, dentro de poucas horas.

Podemos dar os últimos retoques e, ou, respirar fundo e em plena atenção algumas vezes.

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por naluzdalua às 18:13


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